Pessoas racionais concordam em constituição e desejam o bem para os outros
Enunciado formal
Na medida em que os homens vivem em obediência à razão, eles sempre necessariamente concordam em constituição. O sumo bem daqueles que seguem a virtude é comum a todos. O bem que todo homem que segue a virtude deseja para si, desejá-lo-á também para os outros homens.
Em linguagem simples
A liberdade é social, não solitária. Quando as pessoas agem a partir da razão em vez de afetos passivos confusos, elas convergem: querem a mesma coisa (compreensão), e essa coisa não é um recurso escasso. Seu conhecimento não diminui o meu — ele o aprimora. O conflito surge de afetos passivos e escassez, não da razão. É por isso que Spinoza insiste que o homem livre não é um eremita, mas um cidadão. Quanto mais pessoas racionais há ao seu redor, mais sua própria potência é aumentada.
Por que isto se segue
O passo 14 (df-14) identificou o sumo bem como o conhecimento de Deus, que é uma ideia adequada. Este passo tira a consequência social: porque as ideias adequadas são noções comuns — verdades estruturais que valem para todos —, as pessoas guiadas pela razão compartilham o mesmo bem. A liberdade é inerentemente comunal porque seu conteúdo (compreensão) é inerentemente compartilhável.
A liberdade é social: agentes racionais concordam em constituição e compartilham o sumo bem.
Spinoza está sendo ingênuo sobre a cooperação humana, ou a distinção entre conflito passional e concordância racional aponta para algo real na sua experiência?