Cada coisa persevera em seu ser
Enunciado formal
Cada coisa, na medida em que é em si, persevera em seu próprio ser. As coisas individuais são modos que expressam a potência de Deus de maneira determinada. Nenhuma coisa contém algo que possa destruí-la (III.P4), e ela se opõe a tudo que poderia tirar-lhe a existência (III.P5). Portanto, na medida em que pode, ela persevera.
Em linguagem simples
Aqui está — o conatus, o conceito mais célebre de Spinoza. Cada coisa existente resiste à sua própria destruição. Não porque "queira" sobreviver em algum sentido consciente, mas porque seu próprio ser é uma expressão da potência da substância. Uma pedra resiste ao estilhaçamento; uma planta se volta para a luz; uma pessoa luta por ar. Isto não é uma determinação vital misteriosa adicionada às coisas — é o que significa existir. Ser é perseverar.
Por que isto se segue
De ce-05 (sem destruição interna) e ce-06 (contrários expulsos): já que nada em uma coisa tende à sua própria aniquilação, e ela resiste estruturalmente ao que a destruiria, a existência da coisa é ela mesma uma perseverança ativa. Spinoza acrescenta que as coisas são modos que expressam a potência de Deus (I.P25, I.P34), de modo que sua persistência é uma expressão direta dessa potência.
O conatus — a perseverança no ser — é o impulso fundamental a partir do qual todo afeto será derivado.
Conceitos conectados
O conatus é apenas instinto biológico de sobrevivência, ou Spinoza está dizendo algo mais radical — que até coisas não vivas "perseveram"? Que diferença isso faz?